
É possível apagar memórias traumáticas?
A ideia de apagar uma lembrança dolorosa parece pertencer à ficção científica. No entanto, pesquisadores já conseguem ativar, modificar e suprimir determinadas memórias em estudos realizados com animais.
O neurocientista Steve Ramirez e sua equipe utilizam uma técnica chamada optogenética para identificar circuitos ligados à memória e ativá-los por meio da luz. Em camundongos, os pesquisadores já conseguiram criar memórias falsas, recuperar lembranças antigas e reduzir a força de experiências negativas por meio da ativação de memórias positivas.
Memórias não são arquivos fixos
Cada vez que uma lembrança é recuperada, ela pode passar por um processo de reconsolidação. Isso significa que a memória se torna temporariamente mais flexível e pode ser influenciada por novas informações e experiências.
A proposta não é necessariamente apagar o passado, mas modificar a forma como ele é armazenado e acessado pelo cérebro.
E em seres humanos?
A aplicação da optogenética em seres humanos ainda enfrenta grandes limitações. A técnica depende de alterações genéticas nas células e da introdução de luz diretamente em regiões específicas do cérebro.
Por isso, apesar de os resultados em animais serem promissores, uma aplicação clínica ampla ainda está distante.
Apagar seria o mesmo que curar?
Uma memória traumática também pode estar relacionada à identidade, ao aprendizado e à história de uma pessoa.
A questão não é apenas saber se um dia será possível apagar uma lembrança, mas avaliar se isso seria desejável, seguro e eticamente aceitável.
A psiquiatria já trabalha com outra possibilidade: ajudar o paciente a transformar a relação que mantém com a memória, sem eliminar o que viveu.
Este conteúdo é educativo e não substitui avaliação ou acompanhamento profissional.