Memórias podem mudar? Entenda a plasticidade da memória

Memórias podem mudar?

Costumamos imaginar a memória como um arquivo guardado no cérebro. Quando precisamos, seria apenas necessário localizar e abrir esse registro.

A realidade é mais complexa. Cada vez que lembramos de uma experiência, o cérebro pode reconstruir partes dela. A lembrança pode ser influenciada pelo estado emocional atual, por novas informações e pelo contexto em que foi recuperada.

O que é reconsolidação?

Quando uma memória é evocada, ela pode entrar temporariamente em um estado mais flexível. Antes de ser armazenada novamente, ela pode sofrer pequenas alterações.

Esse processo é conhecido como reconsolidação da memória.

É também uma das bases de diferentes abordagens terapêuticas utilizadas no tratamento de traumas. O objetivo não é fazer a pessoa esquecer o que aconteceu, mas reduzir o impacto emocional que aquela lembrança exerce sobre o presente.

Por que isso importa para a psiquiatria?

A plasticidade mostra que o cérebro não está condenado a repetir para sempre a mesma resposta.

Uma experiência pode continuar fazendo parte da história da pessoa, mas deixar de provocar a mesma intensidade de medo, culpa ou sofrimento.

O documento destaca que a psiquiatria já trabalha com essa capacidade de transformação: cada vez que lembramos, também podemos reorganizar a forma como aquela experiência é compreendida. 

Ressignificar não é apagar

Curar não significa eliminar a própria história.

Em muitos casos, significa conseguir lembrar sem ser dominado pela lembrança. A memória permanece, mas passa a ocupar um lugar diferente na vida.

Este conteúdo é educativo e não substitui psicoterapia ou acompanhamento psiquiátrico.

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